Conheça o mochileiro autor do livro “Mochileiro Aprendiz Aventureiro”


Vicente Zancan Frantz, o rapaz gaúcho que partiu para o desconhecido no ano de 2003, conheceu mais de 15 países, se virando para poder conhecer novos lugares e viver como sempre quis.

Uma aventura que você pode encontrar no seu livro “Mochileiro Aprendiz Aventureiro”, cheio de fotos, dicas, alertas e sugestões. Onde ele relata toda a sua trajetória de uma forma divertida descontraída, informal e encantadora.

O Longe da Rotina teve a oportunidade de bater um papo com o Vicente, e ele nos conta um pouquinho mais sobre sua viagem e seu livro, e ele nos incentiva à querer fazer o mesmo.

Vicente Zancan Frantz durante sua viagem

Vicente Zancan Frantz durante sua viagem

Quando foi que você planejou a viagem e como foi isso?

R. Eu viajei quando estava no meio do curso da faculdade de Direito, mas a viagem foi planejada desde o Ensino Médio, especialmente com estudo de Inglês e leitura sobre os países, a fim de definir o que era mais do meu interesse. Escolhi ficar mais tempo em Londres, pois lá melhoraria o meu Inglês, conheceria dezenas de culturas numa só cidade, trabalharia e ganharia em libras, moeda forte que torna as viagens acessíveis e baratas.

Você já tinha em mente quanto tempo essa viagem ia durar?

R. Ao colocar os pés e a cabeça na estrada, não fixei tempo para voltar, mas sim um número de lugares que eu queria conhecer. Assim que eu juntava dinheiro na capital inglesa, pedia folga ou demissão e “mochilava”. A aventura contada no livro acabou durando uns dois anos.

E quais foram os países que você conheceu nessa jornada?

R. Eu prefiro não falar em países, pois alguns dias ou semanas em algum lugar são insuficientes para se conhecer “um país”. Prova disso é que somos brasileiros e muitos de nós ainda não conhecemos grande parte da nossa “pátria amada”. Mas posso dizer que “mochilei” por Inglaterra, Escócia, Irlanda, Portugal, Espanha, Itália, Vaticano, Alemanha, Suíça, República Tcheca, França, Holanda, Cuba, Jamaica, Argentina, entre outros.

Você já era fluente em alguma língua quando partiu?

R. Antes de partir, eu havia frequentado aulas de Inglês durante cinco anos. Então, não foi problema me comunicar sobre coisas essenciais do dia-a-dia. Mesmo assim, tive dificuldade para compreender o Inglês britânico, já que havia estudado o Inglês estadunidense. Chegando em Londres, levei uns três meses para raciocinar (e sonhar!) automaticamente em Inglês. Nos primeiros seis meses, estudei na turma de nível “intermediário” e em seguida passei para a turma de nível “avançado”.

Você fez algum curso enquanto estava no exterior?

R. Em Londres, estudei nas escolas Camden College of English, Eden House College, City University London, Birkbeck University of London, University College London. Frequentei aulas de Inglês com três horas diárias de segunda à sexta, durante 14 meses (salvo quando estava viajando). Em média, para cada hora em sala de aula eu estudava outra em casa. Além disso, participei de cursos rápidos e eventos sobre Direito, Filosofia, Sociologia e Criminologia. Sem contar o estudo ao observar as pessoas, o mundo e a vida fora do Brasil, que, apesar de não garantir um certificado, permite muito aprendizado.

Vicente durante a sua viagem

Vicente durante a sua viagem

E foi difícil arrumar trabalho lá fora?

R. A maioria das pessoas viaja apenas para conhecer pontos turísticos. Mas um mochileiro completo busca crescimento pessoal, profissional e existencial. Uma das coisas que experiencia é o preconceito, a exemplo da dificuldade de conquistar vagas de trabalho, (por mais simples que elas sejam, como servir bebidas atrás de um balcão), seja pelo visual, pelo sotaque, pela origem. As oportunidades de emprego variam conforme a cidade, o período do ano, a situação da economia local, as indicações e a sorte. Eu passei por mais de vinte locais de trabalho. Demorei oito meses para conquistar algo que me satisfizesse, como atendente no Melbourne House Hotel (considerando os objetivos da viagem).

Teve algum país em que você se sentiu mais em casa?

R. Sinto que estou em casa não em um local determinado, mas quando acontecem certas coisas como respeito, hospitalidade, organização, tranquilidade, mútuo auxílio, oportunidade. Eu seria injusto se mencionasse apenas um país. Vivi situações boas em todos eles, talvez porque procurava justamente os pontos positivos de cada um.

E a saudade de casa sempre bate não é mesmo? Como você lidava com isso?

R. A saudade de casa talvez seja uma das maiores dificuldades a serem vencidas por quem viaja durante meses ou anos seguidos. Eu telefonava e me comunicava por emails. De qualquer forma, a saudade é um sentimento de “falta” e o que eu mais sentia era a falta de viagens para lugares variados, convicto de que o mundo é nosso e temos que conhecê-lo.

Conte pra gente o que esta experiência lhe agregou como pessoa e como profissional.

R. Como pessoa, o principal legado foi a satisfação pessoal e felicidade. Confirmei, por experiência própria, várias coisas que sabia apenas por ler e ouvir. Passei a acreditar que viajar é a forma mais eficaz para melhorar o mundo e a própria vida, pois o viajante, ao se deparar com as diferenças, compara, enxerga, compreende os melhores caminhos. Passa a conseguir ler a vida e o mundo. Alcança uma qualificação pessoal e existencial não proporcionada por outros meios, mesmo dentre os mais eficazes. Pessoalmente, ainda, acentuei a minha vontade de construir um Planeta melhor e passei a tomar atitudes dentro do que me é possível: escrevi um livro, montei grupos, páginas e comunidades em redes sociais, dou palestras, faço o máximo esforço para conquistar uma posição profissional que me possibilite ser um agente de transformação social.

Profissionalmente, em resumo, passei a ser beneficiado como os demais Mochileiros Aprendizes Aventureiros o são: num mercado baseado em concorrência, as portas se abrem em razão do currículo construído.

Livro Mochileiro Aprendiz Aventureiro

Livro Mochileiro Aprendiz Aventureiro

E o livro, como surgiu a ideia de escrevê-lo?

R. Sempre sonhei viajar e escrever. Assim que coloquei a mochila nas costas e saí de casa, decidi que faria anotações e, caso estas ficassem interessantes para as demais pessoas, posteriormente eu as publicaria em um livro. Durante a viagem, postei esses rabiscos em um blog e o interesse geral foi bem maior do que aquele que eu imaginava que ocorreria. Diante disso, logo depois da aventura ocorreu a publicação de “Mochileiro Aprendiz Aventureiro”. Das mais de 1000 páginas anotadas, 150 foram usadas para a primeira edição. Mas o livro acabou sendo reescrito, melhorado, e ganhando novas versões, afinal, a intenção é registrar esse tipo de experiência mochileira (feita por milhões de jovens pelo mundo a fora), informando a todos e também homenageando os aventureiros.

Soube que você dá grande grandes palestras também, como surgiu a ideia de palestrar sobre o assunto? Como funcionam essas palestras?

R. As palestras surgiram como consequência da minha experiência e de forma natural, com interessados fazendo perguntas e convidando para encontros coletivos, geralmente em feiras do livro, escolas, universidades, eventos promovidos pelos setores de viagens, turismo e intercâmbios. Acabei criando temas específicos, os quais altero com frequência ou complemento para atender ao interesse do público. Os detalhes podem ser conferidos no endereço www.pelapaz.com.

Há vários palestrantes qualificados esperando a oportunidade para realizar um trabalho que beneficia a todos, mas que ainda é pouco incentivado. Na minha opinião, eventos de viagens, turismo e intercâmbios, com essa proposta de demonstração e motivação para o crescimento individual e coletivo, mereceriam mais a atenção das pessoas.

E já tem ideia para o próximo mochilão?

R. Como escrevi em meu livro, estou propondo um novo conceito de “mochileiro”, mais completo do que simplesmente ser um turista com uma mochila nas costas. Eu “mochilarei” eternamente e aguardo a próxima oportunidade chegar, seja para aonde for. Creio que um ser humano encontra felicidade e o sentido da própria existência quando “mochila”, pois passa a conhecer melhor o mundo, a vida, os outros e a si próprio.”

E para finalizar, O que você diria para quem está começando agora como mochileiro, e que dicas você daria?

R. Pra quem está começando a “mochilar”, já que não podemos passar aqui todas as dicas gerais e específicas, sugiro que o iniciante comece a participar de grupos de mochileiros, pra conversar, sentir e decidir qual será o caminho a ser por ele trilhado. Minha dica é que os mochileiros tentem perceber que viajar é um meio rápido, livre e divertido de conhecer melhor o mundo, a vida os outros e a si próprio, pois o viajante aprendiz volta com ideias novas e energia para o local de onde partiu. Mochilar enriquece a existência de todos, expressa conquista de liberdade e quase sempre leva à pura felicidade. Quem se der conta disso, uma vez mochileiro, sempre mochileiro será. Com entusiasmo, paixão, solidariedade, realização. Com isso, talvez as melhores dicas sejam se informar, começar, aperfeiçoar e compartilhar.

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