Longe da Rotina em São Thomé das Letras – MG


Como alguns já sabem, fui passar o feriado de pascoa em São Thomé das Letras em Minas Gerais, e hoje vou contar um pouquinho para vocês como foi essa viagem, e quem sabe inspirar alguns de vocês à conhecer essa cidade maravilhosa cheia de amor.

A cidade pode até ser pequena, mas tem muitos lugares para se conhecer.Localizada ao sul de Minas Gerais, São Thomé das Letras possui mistérios a serem desvendados que vão além do tal chá de cogumelo. Fundada em 1785, São Thomé tem aproximadamente sete mil habitantes e é a quarta cidade mais alta do Brasil.

Bom, chega de falar da cidade e vamos ao relato da viagem…
No fim da postagem deixei o vídeo que fizemos na viagem, dá uma conferida!

Destino: São Thomé das Letras – MG
Data de partida: 17/04
Data da volta: 20/04

A viagem foi organizada por um grupo denominado “Clandestinos” que é de uma galera de Poá e Suzano (já é a 2ª trip que eu faço com eles). Eles nos chamaram, eu (Emanuel Silveira), o Eduardo Franco e o Caio Gomes para encontrá-los em Poá pra irmos juntos, pois eles fretaram um ônibus open-bar para a viagem. (Para quem pretende ir da rodoviária, não é caro. A passagem custa em torno de R$ 50,00 para quem sai de São Paulo).

Saímos de Poá depois da meia noite, foi uma farra dentro do ônibus, muita bebedeira, risadas e rolou até um som com viola e cajon. Tivemos duas paradas durante o percurso, e era praticamente impossível dormir durante a viagem, então foram raras as cochiladinhas em meio a tantas risadas e conversas.

São Thomé das Letras - Longe da Rotina

Chegando na cidade mística

Chegamos na cidade de São Thomé das letras por volta das 08h da manhã, e pudemos ver um pouco do sol amanhecendo. A primeira impressão da cidade, para ser sincero não foi das melhores, mas acho que foi porque paramos num lugar bem sujinho e empoeirado, mas no final eu descobri que a cidade é empoeirada assim por conta das pedras, e quanto mais eu andava mais linda a cidade ficava e menos suja ela parecia. Existem muitas pousadas e hotéis na cidade, mas nós optamos por ficar num camping que é mais a nossa cara. Partimos então da cidade, em direção ao Camping Mico Estrela, que fica à uns bons 3 km da cidade.

O Camping Mico Estrela é ótimo, nos divertimos muito lá, eles contam com vários espaços de camping, e tem alguns quartos para temporada também. Além disso eles possuem cozinha com fogão e geladeira, banheiros com água quente, iluminação por todo o camping, estacionamento, um espaço para fogueira, um espaço para relaxar com várias redes de descanso, e de vez em quando rola alguns showzinhos por lá. E não posso esquecer da grande figura que é o Cleto, o dono do camping, um cara muito gente fina e cheio de energia que está sempre interagindo conosco. Outro camping que eu ouvi falar muito bem porém eu não pude conhecer, é o camping do noel, que também fica na mesma região do Mico Estrela.

Quero lembrar que se vocês tiverem a oportunidade de ir de carro, VÃO! por que lá, é tudo muito longe uma coisa da outra, e o “É logo ali” do mineiro, pode ser muito mais longe do que você pensa. Mas caso você vá de ônibus mesmo, lá não é difícil de arrumar uma carona, as pessoas de lá são bem legais e solidarias.

São Thomé das Letras - Longe da Rotina - Cachoeira Eubiose

Cachoeira Eubiose

Mas voltando à história, chegando no camping o pessoal foi bastante receptivo, nos mostraram todo o lugar e nos levaram para o local onde iriamos acampar, então montamos o acampamento e partimos para a primeira cachoeira, a Cachoeira Eubiose que fica à uns 10 minutos de caminhada do Mico Estrela. Ela tem a queda principal onde a galera gosta de se banhar e saltar na água, e tem uma queda bem menor um pouco mais a cima da trilha dela (que eu pessoalmente gostei mais, simplesmente por não ter ninguém e pelo seu lago fundo.) Eu, o Eduardo e o Caio ficamos um tempo na queda menor para relaxarmos, e depois fomos para a queda principal com o resto da galera.

O pessoal estava extremamente cansado, mas ainda assim queríamos ir para o centro assistir ao famoso pôr-do-sol visto da pirâmide e do morro do cruzeiro. Então a galera se separou, os que estavam cansados voltaram para o camping e os corajosos encararam a caminhada de 3 km para o centro da cidade. E eu como sou muito corajoso escolhi ir para o centro é claro. kkkk

São Thomé das Letras - Longe da Rotina - Vista do Morro do Cruzeiro

Vista do Morro do Cruzeiro

Chegamos lá, o sol já estava quase se escondendo, o morro do cruzeiro estava LOTADO de gente (bem que me disseram que São Thomé lota nos feriados), tinha uma galera tocando e cantando, outros dançando, outros apenas meditando, mas todos estavam admirando a maravilhosa vista do sol se pondo em meio ao horizonte verde. Assim que o sol se pôs, todo mundo aplaudiu o término do espetáculo. Alguns foram embora e outros ficaram por ali, eu fiquei com o pessoal ali na beira de um penhasco observando as estrelas, e cara eu te digo uma coisa, o espetáculo do pôr-do-sol era só o começo! Conforme ia escurecendo, mais e mais estrelas iam surgindo, estrelas cadentes passavam por nossos olhos, e até pudemos ver aquelas cores claras camufladas entre as estrelas da via láctea. Foi surreal.

São Thomé das Letras - Longe da Rotina - Pôr-do-sol visto da pirâmide

Pôr-do-sol visto da Pirâmide

Mas no meio disso tudo lembramos que tínhamos que voltar para o camping, e como já estava de noite, eram 3 km que teríamos que caminhar no escuro até chegar no camping. Mas antes de irmos resolvemos dar uma volta no centro comprar algumas lembranças e comer alguma coisa. Logo depois saímos com apenas a lanterna do celular descendo o morro de terra, cantando para distrair, desviando de carros que passavam por nós e tomando cuidado para não atrair nenhuma cobra. Foi realmente tenso, porém divertido. Enfim chegamos no camping, mortos de cansaço, comemos algo e fomos dormir.

Na madrugada, o Eduardo e o Caio que não foram ver o pôr-do-sol e descansaram a tarde toda, foram para um show no Bar do Jhonny que também fica ali pertinho do Mico Estrela. Eu como tinha andado o dia todo preferi dormir para recuperar as energias.

No dia seguinte, nós tínhamos programado para irmos à cachoeira do Sobradinho que é conhecida pelas suas grutas de cerca de 100 metros de extensão. Mas por conta do sono, atraso, horários e outros fatores acabamos não indo (Para quem pretende conhecer o Sobradinho, no centro tem um ônibus que te leva e trás por R$ 15,00, mas pode ser que esse valor mude fora de temporada).

Quando acordamos no sábado um pessoal já tinha ido para a cachoeira da lua, que também fica ali por perto, então rapidamente nos aprontamos e fomos em busca dessa tal cachoeira, fomos pedindo informações que no final não deram em nada, não conseguimos encontrar a cachoeira da lua e nem o pessoal que foi pra lá. Mas como já tínhamos andado um bocado e não sabíamos onde estávamos, perguntamos para algumas pessoas qual era a cachoeira mais próxima, então nos informaram que as mais próximas de onde estávamos eram essas na sequencia: Cachoeira do Flávio, Véu da Noiva e Paraíso. Optamos por conhecer as três e depois voltar para encontrar o pessoal.

São Thomé das Letras - Longe da Rotina - Cachoeira do Flávio

Cachoeira do Flávio

Para chegar à cachoeira do Flávio não andamos muito, e o caminho é muito bonito. A Yulla, integrante do grupo dos Clandestinos que estava conosco apelidou aquela estrada de “Caminho das borboletas” pela quantidade de borboletas que vimos por ali. Depois de darmos um “Tchibum”, descansamos um pouco na sombra comendo um pastel para em seguida continuar a caminhada.

Depois da Cachoeira do Flávio, fomos em direção as outras duas da lista, e depois de uma loooonga caminhada, chegamos. Nós não sabíamos mas as águas da Véu de Noiva desaguam na do Paraíso, só que eu particularmente gostei mais da Véu da Noiva por ter uma queda maior, ser mais funda e dava pra pular tranquilamente, além de ser muito mais bonita (Acredito que tenha sido a minha preferida da viagem).

São Thomé das Letras - Longe da Rotina - Cachoeira Véu de Noiva

Cachoeira Véu de Noiva – (O louco saltando da pedra é o Du “Eduardo Franco” kkk)

Bom, ficamos um tempinho por ali, até que percebemos que já estava ficando tarde, e que ainda não tínhamos encontrado o pessoal que tinha ido para a cachoeira da lua (cachoeira que no final eu não consegui conhecer). Então na volta pro camping, com o céu já escurecendo alguém teve a ideia de parar num pequeno restaurante que tinha por ali no meio do nada, então fomos. Lá o dono foi tão legal, que deixou o pessoal andar à cavalo e deixou pegar alguns de seus cogumelos (que no final descobrimos que não serviam para fazer chá kkk). Fizemos um lanche, tomamos umas, e quando estávamos saindo de lá o cara vem até nós para avisar que naquela região naquele horário a estrada costuma encher de cobras principalmente no meio dela, e nos recomendou ir pela beirada da estrada. Fomos morrendo de medo com apenas uma lanterninha de criança que piscava a luzinha. Até que aparece atrás de nós um caminhãozinho andando bem devagar, resolvemos pedir carona. O motorista falou: “Se vocês não se importarem de pisar na merda, podem entrar”, o caminhão cujo nome era “Carga Viva”carregava esterco, e não era um pouquinho não, era cocô até demais. kkkkk

São Thomé das Letras - Longe da Rotina - Cachoeira Paraíso

Cachoeira Paraíso

No fim das contas preferimos arriscar ir no cocô ao invés de encarar as cobras, subimos felizes nos caminhão e fomos cantando e rindo até chegar perto do camping, foi uma aventura fedida porém divertida. Chegamos no camping e fomos direto para o banho. Estava tendo um luauzinho com fogueira e show da banda Outros Oitos. Reencontramos o pessoal que se separou da gente no inicio do dia, e aproveitamos o resto da noite por ali conversando e aproveitando o luau.

Mais uma vez os planos não deram certo, e no terceiro dia quando tínhamos combinado de acordar bem cedo e irmos assistir o nascer do sol no morro do cruzeiro, acabou não rolando de novo por conta do sono. kkkk Fomos acordar só depois das 10h da manhã, e o nosso ônibus para São Paulo sairia às 14h00. Ficamos um tanto desapontados por ninguém ter conseguido acordar no horário, mas não desanimamos, desmontamos o acampamento, fizemos um lanche e partimos para o centro. Aí rolou carona pra todo mundo, cada carro ou moto que passava levava 1 ou 2. No final estávamos todos na cidade, então partimos as compras, teve gente que voltou com caixas de cheias de bugigangas que compraram para presentear os entes. Comemos o último pão de queijo, subimos no ônibus e viemos embora. Na volta o sol nos deu outro espetáculo antes de se pôr no horizonte. Infelizmente eu peguei uma gripe forte e tive uma febre muito alta no ônibus, a sorte foi que um dos passageiros tinha um dipirona para me arrumar na hora.

Para resumir, não consegui conhecer muita coisa, mas o que eu conheci já valeu a viagem, e só de saber que tem muito mais coisas por lá, me faz querer voltar logo. Conheci 3 cachoeiras, tive a oportunidade de ver um pôr-do-sol e um céu estrelado como nunca vi antes, peguei carona num caminhão de cocô de cavalo, pude estar com pessoas e lugares incríveis e conheci muita gente maravilhosa. A parte de eu ter ficado doente não é nada, comparado à isso tudo.

São Thomé das Letras - Longe da Rotina

Los Clandestinos

VEJA A GALERIA DE FOTOS COMPLETA CLICANDO AQUI!

E assista abaixo o vídeo com belas imagens da viagem:

Além dos lugares fantásticos de São Thomé, a cidade é conhecida como a cidade mística, e rondam várias lendas por lá.

Seguem algumas delas:

- Muitos acreditam que a cidade é um dos setes pontos energéticos da Terra;
- Alguns acreditam que a trilha da Gruta do Carimbado começa alí em São Thomé das Letras e termina lá em Machi Picchu.
- Dizem que um poderoso místico, chamado Chico Taquara, chegou na cidade e sempre aparecia na hora certa para curar os mais necessitados;
- A cidade é “assombrada” por espíritos de escravos que ali viveram e morreram;
- São Thomé das Letras é um dos locais onde mais se tem relatos de óvnis no Brasil. Talvez resultado do chá de cogumelo, quem sabe!

Distâncias:

- De BH: São Thomé fica a 337km da capital mineira.
- Do Rio de Janeiro: 460 km.
- De São Paulo: 355 km.
Como eu disse anteriormente, o ideal é conhecer São Thomé das Letras de carro, pois algumas cachoeiras ficam bem distantes da cidade, mas há quem prefira ir à pé ou de carona né?

E ai, já foi pra São Thomé das Letras? Não foi mas quer ir? Deixe suas dúvidas, críticas e sugestões aí embaixo nos comentários!

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